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Chico Buarque, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Chico Buarque termina então sua série de 24 shows no Vivo Rio (RJ), neste domingo, 12 de fevereiro, uma semana antes do carnaval, e antes de começar uma nova série de apresentações em São Paulo.
Tinha assistido ao show no dia 15 de janeiro, sem poder ter tirado fotos. Ia poder realizá-las nesta quinta 9 de fevereiro…
Chico Buarque, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Na verdade, exceto pelo uso de um chapéu durante A Violeira (representando supostamente um personagem nordestino), o show não mudou nem uma vírgula.
Neste final de semana, inúmeras câmeras estavam dispostas na sala para a captação de imagens de um futuro dvd.
Chico me pareceu, no entanto, estar em uma menor forma vocal, em relação à primeira apresentação que havia assistido.
Quanto ao resto, a impressão que o artista fez deliberadamente a escolha de um repertório de canções lentas, belas, sem dúvida, se confirmou. Mas é uma pena que dos trinta títulos apresentados, ele não tenha proposto uma sequência mais ritmada composta de numerosos sambas que estão a sua disposição no seu repertório.
Colo aqui o texto escrito após ter assistido ao show em 15 de janeiro, com, desta vez, fotos pessoais tiradas na quinta 9 de fevereiro, assim como a playlist do show...
Chico Buarque, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Texto do 15 de janeiro:
Assistir a um show de Chico Buarque , é antes de tudo «escutar» um repertório
cinco estrelas - irrepreensível e muitas vezes historico - além de qualquer
apresentação cênica.
O artista fica agarrado ao seu violão – sentado ou em pé – durante todo o show (com
exceção de Rubato, quando se arrisca a pegar o
microfone e fazer alguns passos desajeitados), e nos surpreendemos olhando
as expressões de seu rosto nas duas telas grandes que cercam a cena.

Chico Buarque, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Os músicos executam seus
papéis com absoluta perfeição, sob a direção musical de Luiz Cláudio Ramos,
e Bia Paes Leme, nos teclados, segura magnificamente as vozes de apoio,
como já havia feito na turnê de «As Cidades» (1998).
O jogo de luzes é sutil e discreto, e as reproduções de Portinari, ou de «A Mulher nua», desenho a tinta de Oscar Niemeyer, compõem o único cenário da apresentação.
Mas tudo isso, já é de nosso conhecimento há muito tempo, e só nos resta comentar o repertório escolhido.
Claro, também lamentamos a falta da jóia que era o mítico Canecão que teria sido bem mais conveniente para o show «Chico» que o Vivo Rio que continua sofrendo com uma acústica tão aproximativa.
Chico Buarque, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Dos 30 títulos apresentados, o artista deixou definitivamente de lado seus quatro primeiros álbuns dos anos sessenta.
A composição mais antiga é Desalento (Chico Buarque/Vinícius de Moraes) do álbum «Construção» (1970), e deste período do início dos anos setenta, ele nos faz relembrar de Baioque («Quando o Carnaval Chegar»-1972), Ana de Amsterdam («Calabar»-1973), e em uma vinheta de uns trinta segundos, Cálice (1973), em uma versão rap, homenageando a adaptação desta, feita recentemente por Criolo.
Chico Buarque & Wilson das Neves, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Com Geni e o Zepelin, Terezinha e O Meu amor, ele revisita a época da «Ópera do Malandro» (1977), enquanto Sob Medida (1979), desponta como um dos momentos mais bonitos do show.

Jorge Helder, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Entre os numerosos clássicos
dos anos 80, ele escolheu Bastidores (1980),
Todo o Sentimento e O Velho
Francisco (1987), e desta mesma década, ele nos faz recordar das
magníficas colaborações com seu amigo e cúmplice Edu Lobo (Valsa Brasileira, Choro Bandido e Na Carreira para encerrar o show); e da dúzia de
composições escritas com o «mestre soberano» Antonio Carlos Jobim, ele
propõe Anos Dourados (1986) e A Violeira (1983).
É surpreendente, inclusive, constatar que nenhum dos inúmeros clássicos
escritos em colaboração com Francis Hime esteja no repertório.
Chico Buarque & Wilson das Neves, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Enfim, do período no qual
acumula sua carreira literária, (reduzindo sua produção discográfica a partir
dos anos 90), ele evoca o álbum «Paratodos» (1992) com
De Volta ao samba e Futuros
amantes.
Injuriado do álbum "As Cidades" (1998), é talvez o único título dispensável de todo o repertório, que conta obviamente com os dez títulos de «Chico» (2011), com, como presente, Tereza da Praia (Tom Jobim/ Billy Blanco) que vem depois de Sou eu, cantado em duo com Wilson das Neves que deixa a bateria durante essas duas canções.
Chico Buarque & Wilson das Neves, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
1. Velho Francisco (Chico Buarque, 1987)
2. De Volta ao Samba (Chico Buarque, 1993)
3. Desalento (Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1970)
4. Injuriado (Chico Buarque, 1998)
5. Querido Diário (Chico Buarque, 2011)
6. Rubato (Jorge Helder e Chico Buarque, 2011)
7. Choro Bandido (Edu Lobo e Chico Buarque, 1985)
8. Essa Pequena (Chico Buarque, 2011)
9. Tipo um Baião (Chico Buarque, 2011)
10. Se Eu Soubesse (Chico Buarque, 2011)
11. Sem Você 2 (Chico Buarque, 2011)
12. Bastidores (Chico Buarque, 1980)
13. Todo o Sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987)
14. O Meu Amor (Chico Buarque, 1977)
15. Terezinha (Chico Buarque, 1977)
16. Ana de Amsterdam (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)
17. Anos Dourados (Tom Jobim e Chico Buarque, 1986)
18. Sob Medida (Chico Buarque, 1979)
19. Nina (Chico Buarque, 2011)
20. Valsa Brasileira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1988)
21. Geni e o Zepelin (Chico Buarque, 1977)
22. Sou Eu (Chico Buarque e Ivan Lins, 2009) - com Wilson das
Neves
23. Tereza da Praia (Tom Jobim e Billy Blanco, 1954) - com
Wilson das Neves
24. A Violeira (Tom Jobim e Chico Buarque, 1983)
25. Baioque (Chico Buarque, 1972)
- avec citation de My Mammy (Walter
Donaldson, Joe Young e Sam M. Lewis, 1918)
26. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
- com citação de versos escritos
pelo rapper paulista Criolo sobre a melodia de Cálice
27. Sinhá (João Bosco e Chico Buarque, 2011)
Marcelo Bernardes & L.C. Ramos, 09-02, Vivo Rio (foto Daniel A.)
Bis:
28. Barafunda (Chico Buarque, 2011)
29. Futuros Amantes (Chico Buarque, 1993)
30. Na Carreira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1982)
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